Winston Churchill e a Arte da Escrita Concisa: Lições de 1940 para Hoje
Em um memorando ao Gabinete de Guerra, Churchill exigiu clareza, objetividade e frases curtas: inspiração para os meus 3 Cs da comunicação jurídica eficaz.
Craque na escrita objetiva, winston Churchill (ganhador do Nobel de Literatura - sim, isso mesmo), mandou o seguinte memorando ao seu Gabinete de Guerra em 1940 (tradução livre do original na imagem):
"BREVIDADE
Memorando do Primeiro Ministro
Para fazer nosso trabalho, todos nós temos que ler uma pilha de documentos. Quase todos longos demais. Tempo é desperdiçado ao se procurar pelos pontos essenciais.
Peço aos meus colegas e seus assessores que se certifiquem de que seus relatórios sejam mais curtos.
(i) O ideal são relatórios que listem os principais pontos em uma série de parágrafos curtos e diretos.
(ii) Caso o relatório seja baseado em uma análise detalhada de fatores complicados, ou em estatísticas, tais dados deverão ser incluídos em um Apêndice.
(iii) Na maior parte dos casos, ao invés de submeter um relatório completo e exaustivo, é melhor encaminhar um rascunho contendo apenas tópicos, os quais poderão ser expandidos oralmente, caso necessário.
(iv) Vamos dar um basta a frases como: "Também é importante levar em conta as seguintes considerações...", ou "Devemos levar em consideração a possibilidade de se levar a efeito...". A maioria dessas frases ambíguas servem apenas para enrolar e podem ser simplesmente eliminadas, ou substituídas por uma única palavra. Não nos furtemos de usar frases curtas e expressivas, mesmo que tenham tom conversacional.
Relatórios elaborados na linha daquilo que proponho podem inicialmente parecer toscos se comparados á fina patina do jargão oficialesco. Mas a economia de tempo será estupenda, ao mesmo tempo que a disciplina de listar os verdadeiros pontos de maneira concisa se provará útil a um raciocínio mais claro."
Esse texto inspirou os meus 3 Cs da comunicação jurídica eficaz: Clareza, Concisão e Convenimento. Thank you very much, Prime Minister. 🇬🇧✍️
Tony Barbuto é advogado qualificado no Brasil e em Nova York. Escreve sobre comunicação jurídica eficaz, disputas complexas e o uso estratégico da inteligência artificial. Responsável pela área de Disputas na Advocacia Adriano Dib.


