Transformar complexidade em argumento útil
Curadoria de posts sobre arbitragem, disputas de tecnologia, advocacia com IA e escrita jurídica convincente.
Transformar complexidade em argumento útil
Essa é a preocupação comum por trás dos meus textos recentes: tornar o trabalho jurídico mais claro, mais estratégico e mais conectado ao que realmente importa.
Seja ao analisar decisões do STJ sobre arbitragem, discutir conflitos envolvendo ERP, CRM, HCM e transformação digital, ou refletir sobre escrita jurídica e IA, o ponto de fundo é o mesmo: como organizar a complexidade para construir argumentos melhores.
Nas últimas semanas, concentrei boa parte dessas reflexões no LinkedIn, em textos mais curtos e visuais. Reuni abaixo uma seleção desses posts organizados por afinidade temática.
1. Arbitragem e STJ
STJ & Arbitragem: decisões do 1º trimestre de 2026
Apresentação do levantamento trimestral da Advocacia Adriano Dib sobre 24 acórdãos do STJ em matéria arbitral, organizados em 8 temas, incluindo dever de revelação do árbitro, cláusula compromissória em contratos digitais, seguradora sub-rogada e prazo decadencial para anular sentença arbitral.
Ordem pública e homologação de sentença arbitral estrangeira
Comentário sobre decisão da Corte Especial do STJ na HDE 1.607/UA, que homologou sentença arbitral ucraniana apesar de argumentos envolvendo soberania, imunidade de jurisdição e a famosa ordem pública.
O post destaca a distinção entre reconhecimento e execução e defende uma leitura restritiva da ordem pública no controle de sentenças arbitrais estrangeiras.
2. Escrita jurídica e os 3Cs
Texto menor não é necessariamente texto melhor
A partir de uma provocação de Rory Sutherland sobre eficiência e percepção de valor, o post distingue redução de páginas de verdadeira criação de valor na escrita jurídica.
A tese central: não basta escrever menos. É preciso escrever com clareza, concisão e conexão.
Concisão não é amputar. É depurar.
Inspirado no reconhecimento de Mariangela Hungria, da Embrapa, o post transporta a ideia de “produzir mais com menos” para a escrita jurídica.
A boa concisão não empobrece o argumento. Ela elimina ruído para aumentar clareza, densidade e persuasão.
Kurt Vonnegut e a escrita jurídica
Aplicação das dicas de Kurt Vonnegut para escrever bons contos ao universo jurídico.
O post aproxima literatura, comunicação e advocacia, mostrando como técnicas narrativas podem melhorar textos jurídicos — não para torná-los literários, mas para torná-los mais claros, humanos e eficazes.
Escrever difícil não é escrever melhor
A partir da notícia de uma redação zerada por excesso de linguagem rebuscada, o post critica a confusão entre sofisticação e eficácia.
No Direito, juridiquês, latinismos e frases longas também podem cobrar um preço alto: não na nota, mas no resultado.
O primeiro rascunho ruim também faz parte da boa escrita
Inspirado em Anne Lamott e seu texto sobre os “shitty first drafts”, o post defende que a boa escrita passa por etapas: colocar no papel, reorganizar e revisar.
A petição que trava muitas vezes não precisa da ideia perfeita. Precisa da permissão para começar mal — e melhorar depois.
Churchill, retórica e o terceiro C: Conexão
Comentário sobre The Scaffolding of Rhetoric, de Winston Churchill, conectando clareza, concisão e conexão.
O post sustenta que a IA já ajuda bastante nos dois primeiros Cs. Mas a Conexão continua mais humana, pois depende de contexto, sensibilidade, timing e julgamento.
3. IA, julgamento e advocacia
Senso e sensibilidade na advocacia com IA
Reflexão sobre por que, em um mundo de IA, duas habilidades se tornam centrais: gosto e julgamento.
A IA pode ajudar muito na execução. Mas o diferencial do advogado continua sendo decidir o que importa, calibrar a tese e perceber o que é genérico, frouxo ou pouco convincente.
4. Comunicação jurídica e visual law
O mapa do metrô de Londres e a clareza no contencioso
O mapa de Harry Beck para o metrô de Londres é usado como metáfora para petições, memoriais e apresentações.
Nem sempre a fidelidade absoluta à complexidade é o objetivo. Em muitos casos, o que importa é ajudar juiz ou árbitro a encontrar o caminho certo, sem ruído desnecessário.
Cupcakes, M&Ms e a tradução visual de argumentos jurídicos
Análise de técnicas visuais usadas em julgamento na Califórnia envolvendo Meta e Google.
O post mostra como um cupcake e uma jarra de M&Ms ajudaram a explicar nexo causal e danos punitivos, com a ressalva de que a retórica visual precisa ser calibrada ao auditório.
5. Disputas de tecnologia e transformação digital
ERP, CRM e HCM: nem pró-fornecedor, nem pró-contratante
Divulgação de webinar sobre disputas em projetos de software de gestão empresarial, com abordagem equilibrada entre contratantes, fornecedores, implementadores e julgadores.
O ponto central é simples: esses conflitos raramente se resolvem com slogans. É preciso analisar contrato, proposta, execução do projeto, governança, mudanças de escopo, documentação e o caso concreto.


