Sócrates, a Escrita e a IA: O Perigo de Pensar Menos
Muito antes do ChatGPT, Sócrates já alertava para os riscos de terceirizar o pensamento. A escrita era sua IA.

Nada de novo sob o sol (ou sob o teclado)
Em outro post, comentei uma provocação de um grande professor: “Não há nada de original na produção intelectual humana.”
Hoje, descobri mais um exemplo disso. Séculos antes de qualquer computador ou chatbot, Sócrates já alertava sobre os perigos do “cognitive offloading” — ainda que não usasse esse termo.
Na obra Fedro, Platão relata que Sócrates criticava a escrita, a nova “tecnologia” de sua época. Segundo ele:
“Este invento (a escrita)... produzirá o esquecimento nas almas dos que o aprenderem... confiarão nos sinais externos em vez de lembrar por si mesmos.”
A crítica parece familiar, não?
Já discutimos por aqui como a inteligência artificial pode enfraquecer nosso raciocínio se usada como muleta. O ponto central continua o mesmo, dois milênios depois:
Ferramentas ampliam. Muletas atrofiam.
A escrita não acabou com o pensamento. A IA também não vai.
Mas, como dizia Sócrates (por meio de Platão), que não nos falte discernimento para saber quando estamos pensando — e quando estamos apenas copiando.
Tony Barbuto é advogado qualificado no Brasil e em Nova York. Escreve sobre comunicação jurídica eficaz, disputas complexas e o uso estratégico da inteligência artificial. Responsável pela área de Disputas na Advocacia Adriano Dib.

