Procurados: Corporate Bullshit e Juridiquês
O problema não é a palavra difícil. É a palavra que substitui o raciocínio.
Vamos falar de clareza, o primeiro dos três Cs da comunicação jurídica eficaz.
Recente artigo do Financial Times lista jargões do mundo corporativo e sugere que quem os usa (ou, pior, se impressiona com eles) deveria ser barrado em entrevistas de emprego.
O artigo cita expressões como:
“data lake”;
“data silos”;
“security moat”;
“capture alpha returns”;
“decision fabric”;
“move the needle”;
“leverage synergies”;
“create value for stakeholders”.
Jargões vazios, porém, não são exclusividade do mundo corporativo. Também circulam, há muito tempo, no mundo jurídico.
Por isso, sugiro incluir na mesma lista de “procurados” alguns velhos conhecidos da advocacia:
“como é cediço”;
“resta incontroverso”;
“em sede de”;
“no bojo dos autos”;
“com espeque em”;
“medida de rigor”;
“a toda evidência”;
“não merece prosperar”;
“cristalino”;
“hialino”.
Ao usar um termo “difícil”, pergunte-se:
ele torna a ideia mais clara ou apenas faz o texto parecer mais sofisticado?
Se a resposta for a segunda, substitua-o.
O problema não é a palavra difícil.
É a palavra que substitui o pensamento.


