O silêncio no Direito
Por que a excelência jurídica, assim como o jazz, reside nas notas que você escolhe não tocar.
O gênio do jazz Miles Davis dizia: *”Não são as notas que você toca, são as notas que você não toca.”*
Essa lição, aparentemente simples, é o núcleo do meu método para uma comunicação jurídica eficaz: os **3Cs**.
No Direito, fomos treinados para o excesso. Acreditamos que a quantidade de palavras é sinônimo de autoridade, quando, na verdade, na maioria das vezes, o excesso é apenas ruído. O advogado prolixo é o músico que tenta tocar todas as notas de uma vez. O advogado de excelência é aquele que domina a curadoria do essencial.
E quais são os 3Cs mesmo?
Clareza: é o ato de escolher a palavra exata para traduzir a complexidade, sem camadas desnecessárias.
Concisão: é o exercício de saber onde silenciar. Como no jazz, o valor reside no espaço que você deixa para que o argumento respire e o leitor processe a lógica.
Conexão: é dedilhar clareza e concisão em uma melodia que faça sentido para quem lê (juiz, o árbitro ou o cliente).
Escrever é um trabalho de edição. É cortar e reescrever. Uma frase clara não surge por acidente; ela é o resultado de um esforço deliberado de poda. Quando optamos por cortar o supérfluo, não estamos enfraquecendo o argumento, estamos permitindo que ele seja ouvido com nitidez.
No próximo documento ou petição que você redigir, faça a si mesmo a pergunta de Miles Davis: *”Quais notas eu vou deixar de tocar aqui?”
O resultado, garanto, será um texto mais forte, mais persuasivo e, acima de tudo, mais respeitoso com o tempo de quem lê.


