O Que Stephen King Pode Ensinar Sobre Escrita Jurídica
Sete lições extraídas de On Writing que ajudam advogados a escrever com mais clareza, impacto e precisão — com exemplos práticos de como melhorar seus textos.

Stephen King (autor de “Um Sonho de Liberdade”, entre muitos outros) dá dicas valiosas em “Sobre a Escrita: A Arte em Memórias”. Aqui vão sete delas, com alguns exemplos de “antes/depois”:
1. Elimine palavras desnecessárias
King aconselha cortar palavras que não agregam valor (“kill your darlings”).
Para nós, significa evitar redundâncias, pleonasmos e jargões, focando na essência da argumentação.
Ao invés de:
“É importante salientar que a empresa sempre seguiu rigorosamente todas as leis aplicáveis ao presente caso concreto”
Prefira:
“A empresa cumpre a lei”
2. Use a voz ativa
A escrita na voz ativa torna o texto mais direto e dinâmico.
Ao invés de:
“Os resultados do estudo foram divulgados ao público pela empresa em seu website e mídias sociais”
Prefira:
“A empresa divulgou os resultados do estudo ao público”
3. Evite advérbios
King sugere evitar advérbios, especialmente em diálogos.
Em petições, eles são empregados para tentar reforçar verbos fracos. Verbos fortes dispensam a qualificação.
Ao invés de:
“O réu argumentou veementemente contra as alegações de publicidade enganosa”
Prefira:
“O réu refutou as alegações de publicidade enganosa”
4. Seja específico
A precisão é crucial na escrita jurídica.
King encoraja os escritores a serem específicos em suas descrições e argumentos.
Isso pode ajudar a evitar ambiguidades e tornar o texto mais convincente.
Ao invés de:
“As informações sobre o produto são baseadas em pesquisas”
Prefira:
“As alegações sobre a segurança e eficácia do produto são respaldadas por estudo duplo-cego, controlado por placebo, conduzido pela USP, publicado na revista ‘Ciência & Saúde’ em março de 2023”
5. Revise com a porta aberta
King fala sobre escrever a primeira versão com a “porta fechada” e revisar com a “porta aberta”, pensando no leitor.
Lembrem-se que seu texto é para clientes, juízes ou árbitros.
De qual informação eles precisam?
Comece pela conclusão e elimine o desnecessário.
6. Leia e escreva muito
A familiaridade com uma ampla gama de textos pode aprimorar a escrita jurídica.
Ler decisões judiciais bem-escritas, artigos jurídicos concisos e outros materiais relevantes pode oferecer insights sobre como se comunicar de forma eficaz.
7. Persevere
A prática leva à perfeição.
A escrita jurídica pode ser desafiadora, mas a perseverança e o compromisso contínuo com a melhoria são fundamentais para o desenvolvimento de habilidades de escrita eficazes.
Keep on writing!
Tony Barbuto é advogado qualificado no Brasil e em Nova York. Escreve sobre comunicação jurídica eficaz, disputas complexas e o uso estratégico da inteligência artificial. Responsável pela área de Disputas na Advocacia Adriano Dib.

