“Gobbledygook” será fuzilado: Memorando Condena Linguagem Embromada
Assim como Churchill, um gestor americano também defendia a escrita direta e clara durante o esforço de guerra.

Você já ouviu a palavra 'gobbledygook'? Ela foi cunhada pelo americano Maury Maverick no anexo memorando que, assim como no famoso texto de Churchill (confira o link abaixo), ataca duramente a linguagem empolada e burocrática.
Em 1944, como presidente da Smaller War Plants Corporation ( agência do governo dos EUA que auxiliava no esforço de guerra), Maverick exigiu clareza e concisão nos documentos internos da instituição.
Seu conselho continua atual: seja direto, vá ao ponto e evite jargões desnecessários. No documento, ele chega a brincar que qualquer um que usasse as palavras 'ativação' ou 'implementação' seria fuzilado!
Confira abaixo minha tradução livre do memorando – uma verdadeira lição sobre comunicação eficaz:
Washington, D.C.
24 de março de 1944
PARA: Todos na Smaller War Plants Corporation
DE: Maury Maverick, Presidente e Gerente Geral
ASSUNTO: Memorandos extensos e linguagem rebuscada
Seja breve e use inglês simples. Os memorandos devem ser tão curtos quanto a clareza permitir. O oficial que telegrafou “Submarino avistado — O mesmo foi afundado” contou toda a história.
Coloque o assunto principal — e até mesmo a conclusão — logo no primeiro parágrafo, e tente limitar tudo a uma única página. Ponto final! Se forem necessários dados estatísticos ou explicações mais detalhadas, inclua-os em anexos.
Evite linguagem rebuscada. Isso só confunde as pessoas. Pelo amor de Deus, seja claro e direto sobre o que está falando.
Vamos parar com 'programas de fortalecimento', 'contratos finalizados' que emanam de 'distritos, regiões ou níveis de Washington'. Não há níveis! O governo local é tão importante quanto o governo de Washington.
Nada de 'mais padrões', 'dinâmicas em evolução'. Qualquer um que usar as palavras 'ativação' ou 'implementação' será fuzilado.
Note como esse memorando, de 1944, foi claramente inspirado no texto de Winston Churchill, de 1940, sobre o qual já falamos aqui e ali.
Pena que essa "moda" dos anos 40 não "pegou" muito...
Tony Barbuto é advogado qualificado no Brasil e em Nova York. Escreve sobre comunicação jurídica eficaz, disputas complexas e o uso estratégico da inteligência artificial. Responsável pela área de Disputas na Advocacia Adriano Dib.

