George Orwell e a Linguagem Jurídica: 6 Lições Para Escrever com Clareza e Coragem
Muito antes de 1984, Orwell já alertava para os riscos da “neblina verbal”. Suas regras de escrita, diretas e afiadas, continuam atuais — especialmente para advogados que querem comunicar com precisão



George Orwell (sim, aquele do livro 1984, do Big Brother etc.) estava cansado do discurso político de sua época.
Ainda em 1946, ele criticava o uso inflacionado de palavras como "democracia" e "fascismo", que se tornaram termos vagos, usados mais para provocar emoções do que para esclarecer ideias. Sua análise sobre o empobrecimento da linguagem — e como isso afeta a política e o pensamento crítico — continua (muito) atual.
Recomendo a leitura integral de seu ensaio Politics and the English Language, mas, para quem tem pressa, selecionei alguns trechos marcantes na tabela anexa.
Destaque para suas dicas de escrita clara e objetiva, que são valiosas também para textos jurídicos (e parecem se repetir nos textos históricos que discutimos aqui):
1️⃣ Nunca use uma metáfora, comparação ou outra figura de linguagem que você esteja acostumado a ver impressa (ou seja, evite clichês).
2️⃣ Nunca use uma palavra longa onde uma curta basta.
3️⃣ Se for possível cortar uma palavra, sempre corte.
4️⃣ Nunca use a voz passiva onde você pode usar a ativa.
5️⃣ Nunca use uma expressão estrangeira, um termo científico ou um jargão se puder pensar em um equivalente comum.
6️⃣ Quebre qualquer uma dessas regras antes de dizer algo barbaramente errado.
Vale refletir: quanta "neblina verbal" existe nos discursos políticos e jurídicos de hoje? Orwell diria que muitas palavras dizem pouco — e algumas, absolutamente nada.
Tony Barbuto é advogado qualificado no Brasil e em Nova York. Escreve sobre comunicação jurídica eficaz, disputas complexas e o uso estratégico da inteligência artificial. Responsável pela área de Disputas na Advocacia Adriano Dib.

