
Minutários eram comuns quando comecei meu estágio. Um acervo das mais variadas peças processuais, usado como modelo por quem ia começar a escrever.
Também era comum perguntar ao colega: “Você tem um agravo contra indeferimento de prova pericial?”
Úteis? Às vezes. Bons nos 3Cs? Não. Os textos eram prolixos e, por definição, desconectados do caso concreto.
Hoje temos os LLMs: ChatGPT, Claude, Gemini etc. Úteis? Quase sempre. E os 3Cs? Bons em Clareza e Concisão. Insossos em Conexão.
Assim como dava trabalho adaptar um texto do minutário ao caso concreto, o mesmo ocorre com os LLMs. Dá para terceirizar parte do trabalho. A autoria intelectual, não. O advogado deve estar no comando. Sempre.
Seja para dirigir o trabalho do LLM, seja para psicografar uma primeira minuta: escrever rápido, colocar no papel fatos, argumentos e ideias, sem se preocupar muito com a forma. Depois, usar a ferramenta como editor. Podar, reorganizar, lapidar.
Os minutários davam um empurrãozinho a quem ia começar a escrever, mas exigiam cuidado do advogado para não se tornarem um monstrengo. Os LLMs, se deixados “soltos”, até produzem algo Claro e Conciso, mas desconectado do caso concreto, desprovido de alma e potencialmente assustador.

