“Desde quando advogados resolvem algo em uma página?”
Uma provocação saída de um romance de Dan Brown — e um lembrete de que Concisão é uma arte que poucos no Direito dominam.
Acabei de terminar o novo livro do Dan Brown, O Segredo Final — divertido, como sempre. E trata de neurociência, assunto que me interessa.
Lê-se como um roteiro de filme, e é impossível não imaginar o Tom Hanks correndo pelas ruas de Praga com um enigma nas mãos.
Mas o que mais me chamou atenção foi uma pequena cena envolvendo um NDA (Non-Disclosure Agreement, ou Acordo de Confidencialidade).
Ao analisar o documento, uma das personagens se surpreende com a brevidade do contrato e dispara:
“A single-page NDA? Since when did lawyers accomplish anything in a single page?” (“Um NDA de uma página? Desde quando advogados resolvem algo em uma única página?")
A piada é boa. E revela algo ainda mais interessante: a fama dos advogados com a prolixidade é universal.
Ela atravessa fronteiras, idiomas e gêneros literários — e chega até os best-sellers.
Dan Brown toca num ponto que sempre me incomodou na prática jurídica: a ideia de que complexidade é sinônimo de competência.
Quanto mais páginas, mais cláusulas, mais notas de rodapé — mais “sério” o trabalho parece. Mas, na realidade, é o contrário.
A verdadeira sofisticação está em fazer caber o essencial em pouco espaço, sem perder precisão ou nuance.
Por isso, o segundo C da minha tríade — Concisão — é tão importante.
Ser conciso não é dizer pouco. É dizer apenas o que importa (com Clareza e Contexto). Opa! Olha os 3Cs aí.
Aliás, adoraria ter acesso a esse NDA de uma página para compartilhar aqui.
Afinal, um contrato assim seria quase um artefato de ficção — digno de Dan Brown.
Tony Barbuto é advogado qualificado no Brasil e em Nova York. Escreve sobre comunicação jurídica eficaz, disputas complexas e o uso estratégico da inteligência artificial. Responsável pela área de Disputas na Advocacia Adriano Dib.



Perfeito, Tony! A concisão é, de fato, um ato de coragem! No fundo, um contrato curto e claro desafia não só o excesso jurídico, mas também o ego de quem escreve. Porque simplificar exige maturidade, não falta de técnica. Talvez o “NDA de uma página” seja menos ficção e mais um convite à reinvenção: e se o verdadeiro segredo final fosse aprender a confiar na clareza?