Como Argumentar (de Verdade): Conselhos Atemporais de Karl Llewellyn
Direto de 1957, um guia sobre clareza, empatia e impacto. Argumentos simples, bem pensados e bem posicionados ainda ganham o jogo — no papel e na tribuna.




Garimpei uma preciosidade. “Como argumentar”: conselhos do Professor Karl Llewellyn aos alunos de Columbia, de1957. Resumi alguns deles abaixo (tradução livre) destaquei um lindo trecho (no original):
“You cannot play safe. There is no safety. If you have done an honest job with facts and law, your client has hired your best judgment as to what will work. And in argument as in business, as in life, faint heart means lousy poker. More: faint heart, in argument, commonly means not really thinking through what it is all about. The more you really think, the simpler becomes the advisable line of argument. always.”
A. Estratégia Geral
- Seja empático com seu leitor/audiência: Foque no tribunal a quem você está se dirigindo. Todo o resto depende disso.
- Os fatos são cruciais e devem ser profundamente compreendidos (“mergulhe neles”).
- Simplifique o material para apoiar seu caso de forma eficaz.
- Fatos bem organizados podem ser mais convincentes do que qualquer argumento jurídico.
- argumentos simples e claros são sempre eficazes.
- Confie nas intuições/insights que surgem de uma preparação minuciosa.
- Elimine argumentos fracos ou envolva-os em conjunto com pontos fortes.
- Termine seu argumento com uma declaração forte e impactante (“end with a puch”).
B. Forma, Estilo, Palavras
- Adjetivos raramente agregam valor; verbos convencem mais.
- Fuja do tom professoral: evite explicar ao tribunal; relembre aquilo que eles já sabem. Você está os ajudando a decidir, não dando uma aula.
- Fatos e argumentos jurídicos podem ser esticados e dobrados, como um elástico. Quando esticados demais, eles se quebram.
C. Sustentação Oral vs. Peças escritas
- O olho pode voltar no texto; o ouvido, não. Ao sustentar, lembre-se de repetir os principais pontos.
- Frases curtas funcionam melhor tanto para argumentos orais quanto escritos.
- Perguntas Retóricas são eficazes tanto no discurso quanto na escrita.
- Não dá para jogar na defensiva. A insegurança nasce de quem não se preparou adequadamente para o caso. Quanto mais nos dedicamos ao caso, mais simples se torna a linha de argumentação.
Tony Barbuto é advogado qualificado no Brasil e em Nova York. Escreve sobre comunicação jurídica eficaz, disputas complexas e o uso estratégico da inteligência artificial. Responsável pela área de Disputas na Advocacia Adriano Dib.

