A Regra de Ouro do Nixon — e o Erro de Reagir Demais
Na política externa e no Direito, responder na mesma moeda pode ser tentador. Mas por que não fazer diferente — com os 3 Cs: clareza, concisão e convencimento?

📜 Richard Nixon, 37º presidente dos Estados Unidos, tinha uma forma bastante peculiar de reinterpretar o axioma bíblico conhecido como Regra de Ouro.
Se a versão clássica recomenda:
— “Faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você”,
Nixon preferia algo mais pragmático:
— “Faça aos outros o que eles fazem a você.”
E seu inseparável parceiro Henry Kissinger ainda complementava, com um toque de malícia diplomática:
— “… e adicione mais 10%.”
Essa lógica — de reciprocidade com juros — norteou boa parte da política externa americana durante a Guerra Fria.
💼 E no Direito? Curiosamente, vejo muitos colegas aplicando (ainda que inconscientemente) a Regra de Ouro do Nixon quando recebem uma petição inicial quilométrica, repleta de adjetivos, repetições e, claro, muitas… muitas páginas.
👉 O impulso natural? Responder na mesma moeda. Mostrar que também sabemos escrever muito.
✅ Eu faria diferente.
Prefiro aplicar a sabedoria de Kissinger, porém… invertida.
→ Ao invés de somar 10%, eu subtraio pelo menos 20% do volume textual.
E invisto pesado no que realmente importa: uma peça clara, concisa e, acima de tudo, convincente.
Porque, no final das contas, quem lê (juíze/árbitro) não premia quem escreve mais. Premia quem argumenta melhor.
✍️ Fica a reflexão. E, se quiser, a provocação: qual tem sido a sua estratégia?
PS: Para quem quiser ver Nixon explicando sua versão da Regra de Ouro, o vídeo está aqui: Regra de Ouro - Nixon
Tony Barbuto é advogado qualificado no Brasil e em Nova York. Escreve sobre comunicação jurídica eficaz, disputas complexas e o uso estratégico da inteligência artificial. É responsável pela área de Disputas na Advocacia Adriano Dib.

