A chave para os corações dos homens
Em um texto sobre retórica, o jovem Churchill ajuda a explicar por que clareza e concisão não bastam: a boa linguagem também precisa criar conexão.
Em The Scaffolding of Rhetoric, um jovem Churchill em 1897 toca em ideias que, (opa!), associo aos meus 3Cs.
Clareza: “there is no more important element in the technique of rhetoric than the continual employment of the best possible word.” Boa escrita começa aí: na palavra exata.
Concisão: Churchill rejeita a ideia de que a força vem de palavras longas. Os grandes oradores, diz ele, mostram “uniform preference for short, homely words of common usage.”
Mas o ponto mais interessante, para mim, está no terceiro C: Conexão.
Churchill praticamente a define por meio de quatro elementos da boa retórica: correctness of diction, rhythm, accumulation of argument and analogy.
Ou seja: palavra exata, cadência, sucessão de argumentos e analogias.
É aí que a linguagem deixa de apenas informar e passa a realmente alcançar o outro.
Como já disse aqui, a IA já ajuda bastante com clareza e concisão.
Mas a conexão continua sendo o mais difícil.
Porque conexão depende de contexto, sensibilidade, timing e julgamento.
Para ilustrar esse desafio, Churchill fecha o texto com uma imagem belíssima: assim como o químico tenta “bridg[e] the chasm between the organic and the inorganic”, o estudioso da retórica segue em busca de “the key to the hearts of men.”
Talvez essa seja uma das melhores formas de definir o terceiro C.
Clareza e concisão ajudam a escrever bem.
Conexão é o que faz a linguagem — precisa, cadenciada, concatenada e ilustrativa — tocar alguém.


